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Alternativas agrícolas e florestais para o desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Alternativas para o sistema de cultivo em solo de queimada na Amazônia
foram testadas com sucesso em nível local e podem ser generalizadas por
meio de políticas públicas. Elas serão relatadas e discutidas durante
as 4ªs Jornadas Amazônicas, que acontecerão de 5 a 9 de maio de 2008,
em Uruará, ao longo da Transamazônica paraense.


A rede de pesquisas em cooperação SMART (Strategic Monitoring of South-American Regional Transformations) organiza de dois em dois anos na Amazônia um encontro científico internacional, sobre um tema relacionado com o desenvolvimento territorial.

O próximo encontro – de 4 a 9 de maio de 2008 em Uruará, na Transamazônica – foi organizado em parceria com vários projetos de pesquisa: Cooperativismo (CNPq), FLOAGRI (União Européia), TRANS (Agência Nacional de Pesquisa), SCENARIOS (Inter American Institute for Global Change Research).

Apresentará alternativas agrícolas e florestais viáveis, já existentes e de eficácia comprovada, mas que ainda são praticadas apenas muito localmente.

Exemplos de alternativas já aplicadas localmente com bons resultados :

1) gestão de baixo impacto da floresta, nos municípios de Uruará e Pacajá

2) gestão integrada dos recursos naturais, no município de Benjamin Constant

3) aproveitamento de subprodutos de serrarias e de resíduos florestais para produção local

de energia, no sudeste paraense

4) ecoturismo florestal, na vertente amazônica dos Andes equatorianos.

5) sistema de cultura sem uso de fogo, na Transamazônica

6) sistema intensivo de cultura “Bragantina”, na região de mesmo nome

7) sistema de cultura permanente, no município de Uruará

8) sistemas agroflorestais para produção de cacau, nos solos férteis da Transamazônica

9) comercialização de cacau orgânico, também na região acima

10) produção e comercialização de cacau de aromas finos, na Amazônia equatoriana

11) café equitativo, na Amazônia peruana

O objetivo dos debates será identificar políticas públicas que poderão favorecer a aplicação dessas alternativas em maior escala.

De fato, após 40 anos de colonização a Amazônia ainda não encontrou o caminho certo para um desenvolvimento sustentável. O papel das instituições de pesquisa e de ensino superior é propor soluções para conciliar a produção agrícola, o meio ambiente e o desenvolvimento social.

O diagnóstico das dinâmicas atuais sobre as frentes pioneiras evidencia a necessidade de desenvolver alternativas para o sistema de cultivo em solo de queimada (corte e queima), praticado atualmente.

Além de provocar desmatamentos contínuos, esse sistema gera áreas degradadas em termos de recursos naturais disponíveis para a agricultura. Torna-se cada vez mais prioritário gerenciar melhor esses recursos produzidos pelo meio florestal – entre eles a biodiversidade e a contribuição para o equilíbrio climático.

Essas prioridades agrárias deverão colaborar para melhorar tanto a segurança alimentar como as condições de vida das populações amazônicas. Novas organizações sociais podem dar sustentação a esses melhoramentos e promover a responsabilidade socioambiental. Assim, é urgente propor elementos para políticas públicas adaptadas às novas demandas locais e às exigências da sustentabilidade.

Ao longo dos últimos anos, várias inovações foram criadas e vêm funcionando. Agora elas precisam ser divulgadas para terem um impacto significativo em escala regional. Sua existência mostra que foi dado um passo novo no processo de pesquisa e desenvolvimento na Amazônia. Já passou a época em que praticamente não havia alternativas viáveis para os sistemas baseados no desmatamento e na precariedade social.

Durante o encontro serão relatadas experiências sobre as alternativas à cultura em terra de queimada, classificadas em três sessões: florestas, culturas anuais e culturas perenes. Em uma quarta sessão, as políticas públicas locais e regionais que podem propiciar a generalização dessas alternativas serão discutidas em uma mesa-redonda.

As sessões serão pontuadas por visitas de campo a espaços de floresta gerenciados com baixo impacto e a parcelas de culturas permanentes.

As 4as Jornadas amazônicas reunirão os atores e as entidades potencialmente mobilizados nessa nova fase: cientistas, técnicos e suas instituições, organismos da sociedade local – sindicatos, associações – responsáveis pelas políticas públicas, tanto em sua formulação (políticos, consultores etc) como em sua aplicação (bancos, agências públicas etc) e, evidentemente, os produtores.

A realização do evento em Uruará permitirá que os participantes visitem as propriedades, observem in loco as inovações e dialoguem diretamente com os atores.

Mais informações http://200.130.0.16/transamazonia/exec/index.cfm

Contato René Poccard, ...., rene@cpatu.embrapa.br



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